A desconexão digital como reconfiguração da mediação: uma análise pós-fenomenológica
DOI:
https://doi.org/10.26439/contratexto2026.n45.8797Palavras-chave:
desconexão digital, pós-fenomenologia, mediação tecnológica, mídias digitais, rolagem inconsciente, mindless scrollingResumo
Este trailer conceitual analisa a desconexão digital por meio de uma lente pós-fenomenológica, com o objetivo de ampliar o escopo da discussão sobre os estudos da desconexão e sobre a relação das pessoas com os meios de comunicação. O uso das redes sociais frequentemente passa de uma rolagem consciente para uma rolagem inconsciente, deslocando-se de um consumo de conteúdo atento e engajado para interações automáticas de baixa atenção, que levam os usuários a se desconectarem de modo intencional. Embora as análises empíricas descrevam as experiências e decisões envolvidas na desconexão, elas não explicam as relações subjacentes entre os indivíduos e os meios digitais que configuram esse fenômeno. Para enfrentar essa lacuna, a análise recorre à pós-fenomenologia, que concebe as tecnologias como mediadoras da produção de sentido sobre a experiência. A partir desse marco, o estudo examina como as mudanças na mediação pessoa–meio digital configuram as práticas de desconexão. As observações da passagem da rolagem atenta à inconsciente (mindless scrolling) nas redes sociais sustentam o argumento teórico de que a desconexão é uma reconfiguração da mediação pós-fenomenológica: o aplicativo deixa de ser transparente e se torna opaco à medida que a mediação se revela insatisfatória. A ruptura da transparência funciona como um marcador fenomenológico dessa mudança, mas não como sua causa. Portanto, a desconexão é compreendida como uma reconfiguração da relação pessoa–meio, que persiste durante os períodos de não uso. Ao utilizar relatos qualitativos como casos ilustrativos para a análise pós-fenomenológica, o trailer contribui para a compreensão da desconexão digital como um processo dinâmico e relacional no consumo contemporâneo de mídia.
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